Direito dos Animais

Ativismo, abolicionismo e conscientização

Vegetarianismo e Veganismo

Escolha saudável com ética

Meio Ambiente

Compromisso com o planeta e total sustentabilidade

Arte Sustentável

Conheça nossas ecoficinas e nossos ecoprodutos

Casal de moradores de rua adota animais abandonados e mobiliza paulistanos



Presidente estava pele e osso simplesmente, quase sem recheio, com pelos queimados e prestes a ser jogado de uma ponte quando os moradores de rua Marli de Castro, 35, e Sergio Astete, 42, encontraram-no em Belo Horizonte (MG) no fim de 2012. Fizeram um apelo ao algoz e adotaram o bichano.

Várias cidades do mundo marcharam pelo fim dos abatedouros nesse final de semana

Marcha em Paris  Fonte:  L214 Ethique et Animaux's

No Brasil, as cidades do Rio de Janeiro e  Bauru (SP) participaram da marcha pelo fechamento de abatedouros, nesse final de semana. Mais 8 cidades do mundo também realizaram esse protesto sendo elas : Paris, Toulouse, Toronto, Londres, Istambul, San Diego, Perth e Melbourne.

Sorocabanos evitam registrar BO sobre maus-tratos a animais

Para ajudar a diminuir maus-tratos aos animais é necessário ir até uma unidade de plantão policial e fazer BO. Levar fotos, vídeo ou outra prova também ajuda na investigação. Citar a Lei 9605, art. 32 que dispõe sobre crimes contra animais, caso o policial não conheça. Ver matéria do jornal Cruzeiro do Sul, publicada em 15/06/2013.
Neste ano, a polícia recebeu 3 registros, porém número de casos é maior
Giuliano Bonamim
giuliano.bonamim@jcruzeiro.com.br 

Somente três boletins de ocorrência relacionados a maus-tratos e envenenamento em animais foram registrados neste ano em Sorocaba, segundo dados da Polícia Civil. O número só não é maior porque as testemunhas da violência contra cães e gatos têm evitado a formalização das denúncias nos sete distritos e nas duas delegacias da cidade.

A estatística feita pela Seção de Controle de Zoonoses de Sorocaba comprova a falta de interesse da população em denunciar à Polícia Civil. Dados da área controlada pela Secretaria Municipal da Saúde revelam que, somente em maio deste ano, um total de 17 denúncias foram relacionadas a maus-tratos.

O auxiliar administrativo Rodrigo Bozzola de Castro e Santana, 21 anos, teve dois de seus sete gatos mortos na semana passada. "Tudo indica que eles foram envenenados pela forma que eles morreram", comenta.

Segundo Rodrigo, morador do bairro Vila Carvalho, as duas mortes ocorreram no intervalo de três dias. "Acionamos a Polícia pelo telefone e disseram que era preciso um laudo para a elaboração de um boletim de ocorrência e, por causa de tanta burocracia, não fomos até a delegacia", diz.

Rodrigo comenta que as mortes de seus dois gatos não foram as únicas na Vila Carvalho. "Duas vizinhas também perderam os seus gatos nos últimos meses, também por envenenamento, e não devem ter feito boletim de ocorrência", conta.

Uma delas foi a ajudante geral Márcia Nascimento Ignácio, 53, que presenciou o seu gato de estimação agonizar e morrer em sua calçada. "Saía espuma da boca dele. Certamente ele foi envenenado", relata. "Foi assustador". 

Márcia confessa não ter feito boletim de ocorrência, mas se arrepende. "Não fiz no mesmo dia porque eu estava muito nervosa, chorava muito. Depois, o tempo passou e não tomei essa iniciativa", diz.

Já a funcionária pública Georgia Prado, 37, preferiu usar as mídias sociais para manifestar a sua indignação diante da violência sofrida pelo seu gato no início de maio. O animal foi atingido por um dardo, em uma das patas, e conseguiu ficar sem sequelas após ter sido atendido por um veterinário.

Georgia não procurou a Polícia para registrar a agressão ao seu gato. "Não tive a intenção de registrar um boletim de ocorrência, mesmo quando o meu outro gato morreu espancado. Escolhi um novo rumo e decidi alertar as pessoas via Facebook", conta.

De acordo com o delegado José Antônio Belotti, titular do 2º Distrito Policial e da Delegacia de Atribuição de Crimes Ambientais e de Maus-tratos dos Animais, qualquer testemunha de violência pode procurar qualquer unidade policial para registrar boletim de ocorrência. "Não precisa se deslocar à delegacia especializada. Esse processo pode ser feito no distrito mais perto, nos plantões", conta.

Belotti conta que, após a elaboração do boletim de ocorrência, é iniciado o procedimento de Polícia Judiciária. "São feitas oitivas com todas as partes envolvidas, além da junção de um laudo médico ou da ocorrência e a documentação é encaminhada para o juizado criminal", diz.

Segundo Daniela Valentim dos Santos, diretora de Vigilância em Saúde, qualquer tipo de crime contra animais de estimação deve ser comunicado à Polícia. "Nós atuamos somente quando há um animal com doença transmissível ao homem ou vítima de atropelamento em via pública, sem a presença do dono", diz. "Vale ressaltar que a responsabilidade pela saúde e preservação é sempre do dono do animal", completa.

Cães e gatos também podem doar sangue


A fim de homenagear e agradecer a todos os heróis que ajudam a salvar vidas diariamente, comemora-se hoje o Dia Mundial do Doador de Sangue. E, assim como os seres humanos, cães e gatos também precisam de transfusão de sangue e, por vezes, podem se tornar doadores permanentes. O processo de doação, explica a médica veterinária Carla Alice Berl, funciona praticamente da mesma maneira que o promovido pelos donos. "O animal precisa estar sadio e só pode doar sangue uma vez a cada três meses", explica.

As transfusões acontecem, geralmente, em situações de emergência: quando os animais são vítimas de acidentes, como quedas e atropelamentos, entram em um quadro de hemorragia, sofrem algum tipo de intoxicação, são envenenados, têm anemia por doença do carrapato ou autoimune e, até mesmo, passam por um tratamento de câncer. Quem vai determinar se o bichinho precisa de uma transfusão de sangue ou não é o veterinário. "Ele começará a pensar nisto quando a concentração de hemácias por mililitro de sangue estiver abaixo de 22%", esclarece a especialista.

Em caso de emergências, os hospitais e clínicas veterinárias coletam o sangue dos interessados em doar e realizam os testes necessários. O procedimento todo de coleta dura de 15 a 30 minutos. "O animal precisa estar em jejum de quatro horas e poderá receber alimentos assim que terminar a coleta", explica Carla.

Antes de fazer uma transfusão sanguínea, no entanto, é preciso saber se o animal é DEA positivo ou negativo. Os cães têm 13 tipos diferentes de sangue e os gatos tem apenas três. "Eles também têm um fator que pode ser positivo ou negativo, como o Rh dos humanos, mas para eles esse fator é chamado de DEA." Assim como nos humanos, os animais que possuem sangue negativo só podem receber negativo e os que têm positivo recebem os dois.

Além desta primeira análise, também é necessária a realização de uma prova de compatibilidade sanguínea, por meio de um teste entre o sangue do receptor e o do doador, para averiguar se não há problema. Em algumas situações, os animais podem receber sangue animal mesmo com outro tipo sanguíneo, mas a transfusão só pode ser realizada apenas uma vez. "Depois disto, o animal vai ficar reativo ao tipo de sangue recebido. Temos de fazer todo o possível para que a transfusão sanguínea não cause uma reação no animal que está recebendo o sangue", ressalta.

Alguns fatores são determinantes para que, segundo Carla, um animal possa se tornar doador, como tamanho, idade e histórico de saúde. No caso dos cães, é preciso ter peso acima de 28 quilos: são considerados doadores ideais aqueles que pesam entre 35 e 60 quilos. Devem ter mais de um ano de idade, não podem ter nenhuma doença crônica ou estar tomando medicamentos e precisam ser testado negativo para doenças transmitidas por carrapatos. "Além disto, precisamos ter um hemograma (ou exame de sangue) dentro dos padrões de normalidade."

Para os gatos, as exigências sofrem pequenas alterações. As melhores opções como doadores são os animais domiciliados em apartamento, pois apresentam menores riscos de serem portadores de doenças transmissíveis, como a aids, a leucemia (câncer no sangue) e a doença do carrapato.
do jornal Cruzeiro do Sul

Evento sobre políticas públicas para defesa dos animais conta com representantes da OAB Sorocaba




Nesse sábado, 8, membros da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da OAB Sorocaba participaram do seminário de Políticas Públicas e Direitos dos animais, que aconteceu na Câmara Municipal de Sorocaba.

O evento contou com a presença do presidente da Frente Parlamentar do Congresso Nacional- Deputado Federal Ricardo Izar e do Promotor de Justiça Carlos Henrique Prestes Camargo do GECAP- Grupo Especial de Combate aos Crimes Ambientais.

Esteve presente ainda a Deputada Federal- Iara Bernardes e alguns vereadores da casa.

Promovido pelo Instituto Cahon em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente de Sorocaba o seminário debateu assuntos trazidos pelas autoridades acima citadas, como Leis Federais, ainda contou com representantes de entidades, do CCZ de sorocaba e de ativistas, ambientalistas, que abordaram políticas públicas de defesa animal, o veganismo, denúncias, resgates e ativismo. (do Informativo OAB-Sorocaba)


Amazônia: fogo devasta mais que desmatamento, aponta estudo inédito


Não podemos concordar que a condição climática seja mais responsável do que o desmatamento na Amazônia, estudos recentes apontaram que o desmatamento tem aumentado (leia sobre o assunto) onde indica que ele cresceu 88% em um ano, além do mais, os incêndios são causados, em sua maioria, pelo próprio homem, exatamente para desmatar que a maneira mais fácil, desonesta e estúpida que ele encontra para destruir a floresta. (Instituto Cahon)

Estudo aponta as condições climáticas - e não o desflorestamento - como principal fator de risco na devastação da Floresta Amazônica



Pesquisadores mapearam pela primeira vez a frequência e extensão de incêndios ao longo de 3 milhões de quilômetros quadrados na região amazônica; imagem divulgada pela Nasa mostra frequência das chamas Foto: Nasa / Divulgação
Pesquisadores mapearam pela primeira vez a frequência e extensão de incêndios ao longo de 3 milhões de quilômetros quadrados na região amazônica; imagem divulgada pela Nasa mostra frequência das chamas
Foto: Nasa / Divulgação


Na Amazônia, incêndios que atingem a área baixa da floresta, sob a copa das árvores, ficam normalmente escondidos da análise de satélites que detectam a frequência das chamas. Um novo método utilizado nesse levantamento levou agora à primeira estimativa dos danos causados por esse tipo de incêndio na região.
Cientistas da Nasa, a agência espacial americana, determinaram que um tipo de incêndio até então não mapeado na Floresta Amazônica é responsável pela destruição de uma área de mata muito maior do que a perdida através do processo de desflorestamento nos últimos anos. A constatação foi feita por meio de uma técnica considerada inovadora no uso de satélites e apresenta um outro lado para os dados apresentados pelo governo brasileiro indicando a redução do desmatamento nos últimos oito anos.
O estudo da Nasa revela que houve ocorrência de fogo generalizado sobre as fronteiras da floresta durante o período pesquisado, de 1999 a 2010. Incêndios recorrentes estão concentrados em áreas áreas nas quais existe uma confluência de condições climáticas adequadas para a propação do fogo.
"A Floresta Amazônica é bastante vulnerável ao fogo, dada a frequência de chamas que causam o desmatamento e o manejo da terra na fronteira da floresta, no entanto nunca soubemos a extensão regional ou a frequência desses incêndios", afirmou Doug Morton, o principal autor do estudo. A pesquisa foi publicada em 22 de abril na revista Philosophical Transactions of the Royal Society B.
Nos anos em que foi registrada a maior ocorrência de incêndios, como 2005, 2007 e 2010, a área de floresta afetada por esse fogo baixo foi diversas vezes maior do que a área de desflorestamento causada pela expansão da agricultura, informou Morton. O estudo vai além e aponta as condições climáticas - e não o desmatamento - como principal fator determinante do risco de incêndios na Amazônia.

Após sofrer maus-tratos e perder pata, vira-latas conquista jovens na zona norte


Caso alguém decida fazer uma visita à escola municipal Romão Gomes, no Parque Novo Mundo, na zona norte de São Paulo, no período da tarde, vai ser recebido, em primeiro lugar, por um cão vira-latas de três patas batizado pelas crianças de Snoopy.
Todos os dias, com faltas eventuais apenas por questões amorosas, o cachorro aguarda os garotos Felipe Alves Nunes, 14, e Evandro Pereira Santos, 13, saírem do compromisso escolar para acompanhá-los de volta para casa, em um conjunto residencial Cingapura, pouco menos de um quilômetro dali.
O cachorro mora na rua, em frente ao prédio onde vive a dupla, e se alimenta graças à ajuda "de todo mundo que dá uma coisinha".
Felipe acredita que o chamego do cão com ele e com o amigo Evandro veio após eles terem dado "duas salsichas saborosas" ao bicho.
"Ele é meu melhor amigo. Reconheço o esforço que faz, todos os dias, andando 850 metros só para ficar me esperando. Retribuo brincando, jogando bola e fazendo carinho nele", diz Felipe.
Eduardo Knapp/Folhapress
Cachorro Snoopy, de 3 patas, segue Felipe Alves Nunes,14 e Evandro Pereira dos Santos,12, até o colégio em SP
Cachorro Snoopy, de 3 patas, segue Felipe Alves Nunes,14 e Evandro Pereira dos Santos,12, até o colégio em SP
HISTÓRIA DE AMOR
A história de amor entre Snoopy e os meninos começou há dois anos, antes de o cão ter sofrido a amputação devido a maus-tratos.
"O cachorro desapareceu por um tempo e todos na escola acharam estranho. Só ficamos sabendo de tudo o que tinha acontecido quando ele retornou à rotina, já sem a patinha da frente", afirma a diretora, Tânia Carmona.
Quando sumiu, Snoopy só foi encontrado após uma busca que envolveu estudantes e moradores do bairro. "Encontramos ele muito machucado. Ele me viu e parecia que pedia para eu ir embora porque queria morrer sozinho. Foi muito triste", lembra Felipe, estudante da oitava série.
VAQUINHA
Moradores e alunos fizeram uma vaquinha e conseguiram arrecadar o valor de R$ 2.000 para os cuidados veterinários emergenciais para o cachorro.
Em poucas semanas, o vira-lata sorridente -meio branco, meio caramelo- estava recuperado, mas tendo de conviver com uma deficiência: andar sem a pata esquerda dianteira.
"Para mim, ele ter só três patas não faz diferença nenhuma. Só no começo, que ele andava um pouco mais devagar, mas, agora, é quase normal. O meu amor por ele é igual", conta Evandro.
Apesar de os alunos conhecerem o cachorro "da portaria", poucos sabiam de sua saga, que só ficou popular após a publicação dos detalhes em um blog do colégio.
"A história do Snoopy é próxima da vida da gente, não é conto de fadas. Todo o mundo se emociona com a vontade dele de continuar vindo com os meninos", conta Giovanna Lemos, 12.
Snoopy também virou tema de exposição de cartazes feitos na escola. Os alunos descreveram em desenhos seus sentimentos pelo bicho.
UNIÃO
"O cachorro ultrapassou a função dos nossos projetos pedagógicos e mexeu com o emocional das crianças, que vivem uma realidade muito dura no bairro, muitas vezes de pobreza, de violência", declara Ana Paula Faria, professora de informática educativa do colégio.
O cachorro só sai da portaria durante o período de aula em três situações: quando vê um dos garotos na quadra de esporte e começa a latir em desespero, quando consegue driblar os funcionários para ficar babando na janela da sala de aula dos meninos e para acompanhar a dupla de volta para casa.
Para a assistente de diretoria Marisa Testone, os detalhes da história do cachorro "despertaram um sentimento de união entre os alunos".

Atletas adotam dieta vegana em busca de melhor desempenho

DA REUTERS - A dieta vegana, que exclui alimentos de origem animal, está sendo adotada por atletas para melhorar o desempenho físico.
"Já tinha tentado todo tipo de alimentação: com muita proteína, com pouco carboidrato... até que aderi à dieta à base de vegetais", afirma Brendan Brazier, ex-triatleta canadense. Ele gostou tanto do resultado que já escreveu três livros sobre veganismo.
Também já se declararam veganos o jogador de beisebol americano Prince Fielder, o ultramaratonista Scott Jurek, também americano, e o jogador de hóquei no gelo Mike Zigomanis, canadense.

Jogador argentino é demitido após arremessar cão em alambrado

O jogador Jose Jimenez, do Bella Vista - time de menor expressão do futebol argentino -, foi expulso por arremessar um cachorro no alambrado durante uma partida da liga regional de Tucumán. Segundo informações do jornal Olé, a atitude de Jimenez provocou indignação na torcida e na direção do clube, que rescindiu o contrato do atleta.

O incidente aconteceu durante a partida entre San Juan e Bella Vista. Um cachorro invadiu o gramado, fazendo com que o jogo fosse paralisado. Aparentemente dócil, o cão deitou-se no campo e lá ficou, até ser retirado pelo pescoço pelo jogador do Bella Vista.

Em vez de desperdício, um reino de abundância


"Quem oferece bens e serviços não pode limitar-se a saber se "alguém quer ou alguém vai comprar". A pergunta central é: e depois? O que será feito dos componentes biológicos e técnicos dos produtos, uma vez consumidos? Vão entupir os aterros, alimentar os caríssimos incineradores, ou poderão ser a base para novos processos produtivos, propiciando, assim, menos exploração mineral e solos nutridos por elementos que até então iam para o lixo?", escreve Ricardo Abramovay, professor titular do departamento de economia da FEA/USP e coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental (NESA), em artigo publicado no jornal Valor, 11-06-2013.
O economista comenta o livro The Upcycle, de William McDonough e Michael Braungart. North Point Press. 256 páginas, US$ 24,00.
Segundo ele, não se trata de "celebrar simplesmente a minimização dos danos, como se faz, na maior parte dos relatórios socioambientais do mundo corporativo atual. Ao contrário, é necessário transformar radicalmente não só a maneira como são produzidos os bens e serviços, mas, sobretudo, seu próprio sentido social".
Para o economista, "o ponto de partida dos tomadores de decisão sobre os recursos de que dispõem não pode estar nas métricas a respeito de seus impactos. O começo de tudo são valores, ou seja, o que se quer com aquilo que é oferecido à vida social. Dos valores nascem princípios, daí resultam objetivos, estratégias, táticas e somente então é que as métricas têm lugar. Reduzir emissões, melhorar o uso da energia ou poluir menos não servem como parâmetro para julgar a maneira como se comportam os agentes econômicos".
Eis o artigo.
Um mundo de abundância, em que a concepção criativa e o uso adequado dos produtos representam o caminho para superar as fronteiras em que o desenvolvimento sustentável está hoje enclausurado. Um mundo em que cidades funcionam como florestas, recuperando o que é comumente tratado como lixo, em que a melhor energia é a que vem do sol, do vento, e onde as emissões fósseis ainda remanescentes convertem-se em alimentos para nutrientes biológicos e não em aquecimento global. Uma economia que não se restringe a reduzir danos, a fazer menos mal, mas tem como objetivo central regenerar os ecossistemas degradados e, por aí, oferecer novas fontes de dinamismo às sociedades humanas, cultivando aquilo que Emerson, o precursor americano do ambientalismo contemporâneo, chamava de profusão calculada. Em suma, um mundo em que a matéria, a energia e os recursos bióticos dos quais dependemos não respondem a uma lógica linear (extrair-produzir-usar-jogar), nem mesmo a uma lógica circular de ciclo fechado, mas a um movimento em espiral em que a atividade econômica resulta num conjunto de nutrientes técnicos e biológicos para a produção de novos bens e serviços.
O arquiteto americano William McDonough e o químico alemão Michael Braungart tornaram-se ícones do movimento socioambiental global por uma expressão célebre, que dá título a seu primeiro livro, publicado em 2002. "Do Berço ao Berço - Refazer o Modo como Fazemos as Coisas" ("Cradle to Cradle - Remaking the Way We Make Things"). O conceito é usado por oposição à rota convencional, que vai do berço à sepultura e que as políticas de resíduos sólidos, em todo o mundo, tentam superar. Só que, para fazê-lo, a trajetória não pode mais limitar-se à famosa tríade: reduzir, reusar, reciclar. É muito mais promissor o horizonte de redesenhar, renovar e regenerar.
A reciclagem, por exemplo, de garrafas PET para a fabricação de tecidos apoia-se, quase sempre, no emprego de materiais químicos tão poluentes que só podem, uma vez descartados, destinar-se aos aterros ou à incineração. Essa reciclagem corresponde, na verdade, a uma espécie de subciclagem ("downcycling"). O desafio é, ao contrário, inserir materiais e energia num ciclo que permita sua revalorização, e não a degradação. O mais complicado, quando se trata dessa revalorização, são os produtos complexos, como automóveis, telefones celulares, computadores ou lâmpadas fluorescentes: empregam imensa quantidade de recursos minerais, ligas metálicas e compostos químicos, cuja separação torna-se muitas vezes impossível. Esse desperdício de recursos deve ser enfrentado não quando o produto é descartado e sim quando é concebido.
Quem oferece bens e serviços não pode limitar-se a saber se "alguém quer ou alguém vai comprar". A pergunta central é: e depois? O que será feito dos componentes biológicos e técnicos dos produtos, uma vez consumidos? Vão entupir os aterros, alimentar os caríssimos incineradores, ou poderão ser a base para novos processos produtivos, propiciando, assim, menos exploração mineral e solos nutridos por elementos que até então iam para o lixo?
A responsabilidade pós-consumo, a logística reversa (estratégicas, por exemplo, na Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada no Brasil em 2010) só podem ir além da remediação efêmera se forem pensadas no design do produto, não como forma de atenuar seus danos. A expressão "what's next" forma a espinha dorsal do "Upcycle". Ir além da sustentabilidade, como propõe o subtítulo do livro, significa imaginar e propor bens e serviços sempre a partir do princípio de que suas partes integrantes nada mais são que ingredientes para novos bens e produtos capazes de, por sua vez, fecundar a biosfera (e o que os autores chamam de tecnosfera) com elementos destinados a enriquecê-la.
Não se trata de ignorar as leis da termodinâmica, nem, é claro, de suprimir a entropia inerente ao uso de energia e materiais por parte das sociedades humanas. Mas o grau de desperdício atual é tanto e tão generalizado que abre um espaço extraordinariamente grande para esse reino da abundância. Aí a contribuição de McDonough e Braungarté decisiva: a abundância a que se referem não corresponde a celebrar simplesmente a minimização dos danos, como se faz, na maior parte dos relatórios socioambientais do mundo corporativo atual. Ao contrário, é necessário transformar radicalmente não só a maneira como são produzidos os bens e serviços, mas, sobretudo, seu próprio sentido social.
Por isso, o ponto de partida dos tomadores de decisão sobre os recursos de que dispõem não pode estar nas métricas a respeito de seus impactos. O começo de tudo são valores, ou seja, o que se quer com aquilo que é oferecido à vida social. Dos valores nascem princípios, daí resultam objetivos, estratégias, táticas e somente então é que as métricas têm lugar. Reduzir emissões, melhorar o uso da energia ou poluir menos não servem como parâmetro para julgar a maneira como se comportam os agentes econômicos. Mais importante é o que os autores chamam de intencionalidade, que se exprime justamente na capacidade de imaginar e realizar produtos, obras, edificações, estradas, plantações e cidades não apenas por suas oportunidades de ganho econômico, mas mas pelo conjunto de seu ciclo de vida e pelos benefícios que ao longo do tempo vão produzir para a vida social, para os ecossistemas e, em função disso, para as empresas.
Não podemos continuar na roleta russa de introduzir componentes químicos e materiais desconhecidos na biosfera, para depois tentar reduzir seus efeitos perniciosos. Temos que reconstruir a saúde dos solos e isso não se consegue com mais agrotóxicos, associados a sementes melhoradas. "Upcycle" oferece fundamentos técnicos persuasivos a essas afirmações e sua mensagem chega hoje a algumas das mais importantes corporações (Philips, Ford, Puma, Walmart, Steelcase, entre outras) e aos governos de municipalidades da importância de Chicago e Pequim, por meio de "Cradle to Cradle" (C2C), que se tornou uma certificação global.

Futebol: Cão agredido e contrato rescindido

Cão agredido e contrato rescindido

Cães em estádios de futebol não chega a ser algo incomum – no Brasil eles auxiliam o policiamento, enquanto que em alguns estádios menores da América do Sul frequentemente são vistos junto a torcedores. Mas a entrada em campo de um cachorro durante uma partida válida pela liga de Tucumã, na Argentina, rendeu uma atitude desastrada, uma expulsão e, por fim, um contrato rescindido.
O San Juan vencia o Bella Vista por 2 a 1 quando um cachorro invadiu o gramado. O juiz precisou interromper o jogo para que ele fosse retirado. José Jiménez, jogador do Bella Vista, agarrou o cão pelo pescoço e tentou arremessá-lo para a arquibancada, mas ele bateu no alambrado e caiu de volta no gramado.
Inconformados, torcedores passaram a xingar Jiménez e muitos jogadores foram para cima do atleta do Bella Vista. O juiz o expulsou de campo, e o clube rescindiu seu contrato.
Ah, pelo menos o cãozinho passa bem.   (estadão.com.br/esportes)

Cientistas estudam genoma de cães e lobos para entender suas diferenças

DO "NEW YORK TIMES"


The New York Times Imagine um lobo apanhando um "frisbee" 12 vezes seguidas, conduzindo policiais a um esconderijo de cocaína ou apenas dormindo ao seu lado no sofá. É um exagero, para dizer o mínimo. Os cães podem ter evoluído a partir dos lobos, mas as mentes dos dois são muito diferentes.
O cérebro dos cachorros se tornou sintonizado com o dos humanos. Os cientistas estão se concentrando em alguns genes que foram cruciais para reprogramar o cérebro canino. Seus resultados poderão ensinar algo sobre a evolução de nossos cérebros: alguns dos genes que evoluíram nos cães são os mesmos que evoluíram em nós.
Para rastrear a mudança nos cérebros caninos, os cientistas tiveram de elucidar como as raças de cães se relacionam entre si e como todas elas são parentes dos lobos. O doutor Zhang Ya-Ping, geneticista na Academia Chinesa de Ciências, liderou uma rede internacional de cientistas que compararam pedaços de DNA de diferentes caninos. Eles chegaram à conclusão de que os lobos começaram sua transformação na Ásia oriental.
Aqueles primeiros cachorros então se espalharam para outras partes do mundo. Muitas das raças mais conhecidas hoje surgiram apenas nos últimos séculos. Aqueles primeiros cães permaneceram durante milhares de anos. Hoje são conhecidos como cães nativos chineses. "Os cães chineses vivem em aldeias rurais, ajudando as pessoas a proteger suas casas", escreveu o doutor Zhang em um e-mail.
Ele e seus colegas sequenciaram o genoma dos cães nativos chineses e o compararam com os genomas de lobos asiáticos e raças modernas de cães.
Ao comparar as mutações, puderam estimar quando os lobos e os cães divergiram. Como relataram em 14 de maio na revista "Nature Communications", eles descobriram que a divisão começou 32 mil anos atrás.
Os primeiros cachorros encontraram pequenos bandos de caçadores/coletores. As pessoas só se estabeleceram em aldeias para praticar a agricultura na Ásia oriental há 10 mil anos.
Depois que os cães se separaram dos lobos, seus genes começaram a evoluir em uma nova direção. O doutor Zhang e seus colegas puderam identificar alguns desses genes, vários dos quais ainda ativos no cérebro de cachorros.
Alguns dos genes que evoluíram primeiro no cão estão no córtex pré-frontal, onde os mamíferos tomam decisões sobre como se comportar. Alguns genes participam da criação de conexões entre os neurônios. O gene chamado SLC6A4 transporta serotonina para os neurônios.
Os resultados oferecem pistas sobre como os lobos tornaram-se parecidos com os cachorros. "A visão convencional é que os caçadores/coletores recolheram filhotes", disse Chung-I Wu, da Universidade de Chicago. Se os humanos criaram os primeiros cachorros dessa maneira, então eles seriam descendentes de uma população muito pequena.
Em vez disso, parece que uma grande população de lobos começou a se aproximar dos humanos. Nesse cenário, os lobos agressivos teriam se saído mal, porque os humanos os teriam matado, enquanto lobos mais mansos teriam prosperado.
Isso significaria que não domesticamos os lobos -eles se domesticaram. O gene SLC6A4 pode ter tido um papel crucial nessa mudança, porque a serotonina influencia a agressividade.
O doutor Zhang e seus colegas esperam descobrir como as variantes de genes como o SLC6A4 afetam o comportamento dos cães. Os resultados podem ajudar a explicar a evolução humana: alguns genes que evoluíram no cérebro dos cães, como o SLC6A4, também mudaram no cérebro humano.
"Os humanos também tiveram de se domesticar", disse Adam Boyko, da Universidade Cornell em Ithaca, Nova York, um dos colaboradores de Zhang. "O processo provavelmente é semelhante ao dos cães -você precisa tolerar a presença de outros."

da folha sp