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"Há uma diferença crucial entre estimular o consumo e referendar a lógica do consumismo - diferença que o atual paradigma de gestão parece desconsiderar. No primeiro caso, a ampliação do poder aquisitivo é objetivo atrelado à consolidação e melhoria dos bens coletivos. No segundo, há um sucateamento desses mesmos bens e uma ampliação dos espaços privados e individuais de consumo", escreve José Garcez Ghirardi, professor da Direito GV/SP, em artigo publicado no jornal Valor, 21-05-2013.
Segundo ele, "o trânsito, como já se apontou, é uma dos indicadores mais precisos para revelar as opções de fundo feitas pelas sociedades e seus governantes. A dinâmica quotidiana do transporte público espelha, sem disfarces, o desenho e a qualidade da convivência democrática nos espaços político e social".
"O legítimo desejo do país de ser uma nova potência, deve começar pela opção de ser uma potência nova - afirma o professor de Direito. Isto requer criatividade e coragem para contrapor-se à lógica reinante que fomenta o reducionismo perverso de confundir consumo e cidadania".
Eis o artigo.
Os sorrisos de Camila Pitanga e de Ronaldo Gianecchini nos comerciais da Caixa e do Banco do Brasil, respectivamente, abriram caminho para a notícia de que os dois bancos superaram, com lucros recordes, seus rivais privados em 2012. A conjunção de apelo popular e dirigismo econômico não é acidente e ilustra uma das escolhas políticas mais decisivas da gestão da presidente Dilma Rousseff.
Acreditando que a fórmula para avançar na agenda social sem desagradar os mercados é criar um país de classe média ("no mínimo", para usarmos os termos da presidente), o governo tem abraçado a ideia de inclusão via consumo. Críticas a esse modelo são sumariamente rechaçadas como fruto de ressentimento ou de má-vontade. Mas é preciso ter a coragem de fazê-las porque as contradições entre as demandas muitas diversas de inclusão e consumo, silenciadas neste momento, ameaçam a qualidade de vida futura de todos os brasileiros. E o que é pior: arriscam fragilizar, de modo particularmente cruel, justamente aqueles grupos mais vulneráveis, tornando efêmeras as conquistas atuais.
É preciso deixar claro, em primeiro lugar, que há vários modelos de países de classe média - a Suécia, a Austrália e o Canadá, são exemplos dessas diferentes versões - e várias formas de se pensar a relação entre consumo e bem estar social, assim como há vários modos de construir a regulação que tal relação solicita do Estado. Dizer "país de classe média" não significa dizer, portanto, sociedade justa ou funcional, nem tampouco primazia do interesse coletivo.
No que tange aos pressupostos dessa premissa, não está dado que a expansão do consumo leve necessariamente à inclusão - a história recente dos Estados Unidos tem algo a nos ensinar nesse ponto. No que tange a questões mais diretamente econômicas - a pressão inflacionária, o crescente endividamento familiar, a fragilização estrutural do setor produtivo, apenas para citarmos alguns exemplos - não está dado que o modelo atual seja sustentável.
Além disso, e de modo mais grave, há uma diferença crucial entre estimular o consumo e referendar a lógica do consumismo - diferença que o atual paradigma de gestão parece desconsiderar. No primeiro caso, a ampliação do poder aquisitivo é objetivo atrelado à consolidação e melhoria dos bens coletivos. No segundo, há um sucateamento desses mesmos bens e uma ampliação dos espaços privados e individuais de consumo.
A recente opção do governo em relação à industria automotiva ilustra bem as implicações que resultam de uma escolha pelo segundo modelo. A agressiva ação governamental para que cada um adquirisse seu carro - por meio da longa e repetida redução de IPI e pela expansão do crédito- tornou mais evidente, pelo contraste, a timidez das iniciativas para efetivamente melhorar e ampliar a qualidade do transporte público.
A mensagem implícita é a de que o transporte é, em primeiro lugar, um problema individual e apenas residualmente um problema coletivo. Dentro dessa lógica, o melhor modo de saná-lo é transferir recursos (via crédito mais barato ou renúncia fiscal, por exemplo) para que cada um cuide do seu. O uso de ônibus, metrô e trem vai se tornando índice de falta de opção e não do seu oposto.
Esses meios coletivos de transporte atendem, em regra, àqueles que não podem adquirir seu veículo e, assim, livrar-se do desrespeito quotidiano de ter que submeter-se a condições muitas vezes desumanas para chegar ao trabalho e à casa. No processo, a qualidade geral de vida decai, e a locomoção nas cidades se torna cada vez mais lenta e cada vez mais desgastante.
O argumento do emprego que é tantas vezes utilizado para justificar tal opção, apenas confirma a tendência do consumismo de remediar o presente às custas do futuro. A manutenção e a ampliação sustentável do emprego, em médio e longo prazo, solicitam políticas mais complexas de inovação tecnológica e de qualificação profissional que não combinam com o afã imediatista do consumismo e do ganho político - sobretudo quando os próprios governantes tendem a absolutizar o hoje e a minimizar a importância de ajustes estruturais pregressos. Para quem promove esta agenda, a deterioração das cidades, o aumento dos custos mais básicos do dia a dia e o ataque ao meio-ambiente são secundários ao apoio político passageiro e ao fetiche da propriedade individual, em um movimento que revela o quanto têm em comum os imediatismos gêmeos do populismo e do lucro.
O trânsito, como já se apontou, é uma dos indicadores mais precisos para revelar as opções de fundo feitas pelas sociedades e seus governantes. A dinâmica quotidiana do transporte público espelha, sem disfarces, o desenho e a qualidade da convivência democrática nos espaços político e social. Viajando lado a lado, indivíduos com histórias, condições e interesses divergentes percebem que têm que saber construir juntos algo que sirva efetivamente a todos. Percebem que esta opção prevê regras de conduta e de cooperação, de respeito à diferença, de busca de aperfeiçoamento do que é coletivo, de zelo pelo que é patrimônio comum. Eles podem optar pela tarefa difícil de construir este espaço comum ou podem priorizar resoluções de cunho individual.
Se a alegoria do trânsito nos ajuda a refletir sobre questões mais amplas, a imagem que temos do país a partir da circulação nas ruas preocupa, e muito. Ela indica uma sociedade em que o individualismo consumista ganha força, em que o diálogo democrático se empobrece e em que grupos específicos têm excessiva capacidade de pressão junto ao governo, sendo capazes de impor agendas corporativas e de retardar agendas genuinamente coletivas. O legítimo desejo do país de ser uma nova potência, deve começar pela opção de ser uma potência nova. Isto requer criatividade e coragem para contrapor-se à lógica reinante que fomenta o reducionismo perverso de confundir consumo e cidadania.
fonte: Unisinos

Basta de destruição dos nossos direitos e da Mãe Terra


"Nem nos piores momentos do neoliberalismo sofremos tamanho ataque, que vem de fazendeiros e seus pistoleiros, parlamentares ruralistas, governo federal, Judiciário. O mais triste é que acreditamos que Lula e Dilma poderiam melhorar nossas vidas, mas isso não está acontecendo", afirmam os povos indigenas de Goiás e Tocantins, em manifesto publicado no dia 23-05-2013.
Eis o manifesto.
Manifesto da II Assembleia dos Povos Indígenas de Goiás e Tocantins
Ouvimos a voz indignada de uma anciã que perdeu sua netinha, ainda na barriga da mãe, e o gemido de dor de nossas crianças adoecidas nas aldeias. Ouvimos os relatos de ameaças e violências contra nosso povo. Ouvimos os parentes detalhar sobre o avanço do agronegócio e das florestas de eucalipto nas terras indígenas. Ouvimos sobre a lentidão do governo federal em garantir os direitos assegurados pela Constituição Federal, como a terra, acesso à saúde, educação e consulta prévia. Ouvimos a verdade por trás das mentiras que os brancos tentam nos impor. Nessa verdade está nosso horizonte.
Há 513 anos apareceram, em nosso horizonte, as caravelas dos colonizadores. Nos impuseram seu mundo e nos chamaram de selvagens, mas eles é que mataram milhões de indígenas. Porém, percebemos que os brancos seguem tentando nos impor seu Estado, sua cultura e seus interesses econômicos sobre as terras tradicionais que nos restam e nosso modo de viver e olhar sobre o mundo. No parlamento, são cerca de 90 proposições, entre projetos de lei e propostas de emendas à constituição, que tratam diretamente dos povos indígenas. O interesse do branco é grande em destruir nossas terras e retirar nossos direitos.
Destacamos algumas dessas proposições. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 visa transferir do Executivo para o Legislativo a demarcação e homologação de terras indígenas, quilombolas e áreas de proteção ambiental. Sabemos que os ruralistas possuem a maior bancada da Câmara Federal e se essa PEC 215 for aprovada, nunca mais teremos demarcações no país. Outro projeto que nos preocupa é o PL 1610, sobre mineração em terras indígenas. Enquanto o Estatuto do Índio se mantém parado, esse PL vai promover um verdadeiro leilão de nossas terras, demarcadas ou não, para as mineradoras. Já o PL 4740 pretende arrendar as terras indígenas para a criação de gado e monocultivo do agronegócio.
Mas não é apenas o parlamento que pretende praticar o esbulho de nossas terras. O Palácio do Planalto, aliado dos ruralistas, baixou a Portaria 303, que pretende estender condicionantes da Terra Indígena Raposa Serra do Sol para todas as terras tradicionais do país. As condicionantes nem foram votadas pelos ministros do STF e por isso a portaria foi suspensa, mas queremos a revogação dela. Durante este mês de maio, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, suspendeu todos os procedimentos de demarcações da Funai no Paraná depois que o Embrapaquestionou um relatório que atestava a ocupação tradicional de uma comunidade Guarani. A ministra disse que aFunai não é imparcial para demarcar e que as demarcações nos estados de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso e Rio Grande do Sul também passariam pelo crivo da Embrapa e ministérios. Nem nos piores momentos do neoliberalismo sofremos tamanho ataque, que vem de fazendeiros e seus pistoleiros, parlamentares ruralistas, governo federal, Judiciário. O mais triste é que acreditamos que Lula e Dilma poderiam melhorar nossas vidas, mas isso não está acontecendo.
Terras e grandes projetos
O agronegócio cerca, invade e envenena as terras indígenas. Querem nossas terras para produzir alimentos podres, à base de agrotóxicos e sementes transgênicas. Não bastasse isso, o governo federal impõe, sem consulta prévia como exige a Constituição Federal e a Convenção 169, usinas hidrelétricas, estradas, hidrovias e o bilionário financiamento estatal ao monocultivo de commodities e criação de gado. A tudo isso estão relacionadas as ações da bancada ruralista, que pretendem mudar as regras para facilitar a retirada de nossas terras com o objetivo de investir os milhões que ganham do governo para os monocultivos. Por outro lado, isso faz parte de um projeto de desenvolvimento nacional do governo federal, que não contempla nossas nações e por isso cremos ser um projeto de desenvolvimento de uma elite colonialista, branca.
Sobre nossas terras e nas áreas limítrofes delas, sobretudo no Tocantins, avançam as florestas de eucalipto, as carvoarias e canaviais, que quando queimam lançam sobre as aldeias fumaça e poluição, gerando doenças respiratórias. A Secretaria de Regularização Fundiária do estado foi entregue ao filho da líder do agronegócio no Brasil, Kátia Abreu. O secretário, Irajá Silvestre Filho, firmou convênio com o Ministério de Desenvolvimento Agrário para regularizar as terras da União, ou seja, as terras indígenas, quilombolas, áreas de preservação ambiental do Tocantins. Isso mostra como o agronegócio avança em nossas terras, que não são demarcadas e protegidas, a não se por nós mesmos e já decidimos que vamos morrer defendendo-a. Mas não apenas retirando as nossas terras que tentam nos usurpar. A nossa saúde está completamente quebrada, levando sofrimento e morte para as aldeias.
Saúde e educação
A saúde indígena passa por problemas em sua administração, desde Brasília, na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, até às regiões, no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), onde os administradores regionais são incompetentes, descompromissados e mentirosos. Isso gerou uma descrença generalizada e ao mesmo tempo a inciativa em pedir a exoneração de Ivanezilda Ferreira Noleto, coordenadora do DSEI, depois que a expulsamos de nossa II Assembleia. Ela registrou ocorrência na Polícia Federal, alegando danos emocionais. Perguntamos: e nossos danos pelas crianças e parentes mortos pela incompetência desses gestores? E nossos danos por não termos saneamento básico e medicamentos, suspensos pela Portaria 3185 do Ministério da Saúde? Quando ficamos doentes, temos de torcer para que nossa doença esteja na lista do governo, pois do contrário morremos sem medicamentos. A saúde indígena está na UTI e assim matam lentamente nossos povos.
Mesmo não tendo os estudos do branco, sabemos como educar nossos filhos com uma educação diferenciada e exigimos que o governo respeite nossos currículos. Sendo assim, na educação, apesar de pequenos avanços, a situação não é muito melhor. O que vemos é que não existe vontade política para garantir uma escola diferenciada e de qualidade como diz a legislação. Não queremos ensinar nossas crianças a manusear a escrita para mentir e prejudicar o outro; queremos ensiná-las a pensar e refletir, olhando para a própria cultura e os direitos da Mãe Terra. Formamos guerreiros. Nossas escolas devem ter o nosso rosto e fincadas em nosso chão, como forma de garantir nosso envolvimento social e político; nossa relação com a Mãe Terra.
Esperança no horizonte
Apesar do clima de indignação, dos graves problemas e desafios enfrentados pelas comunidades, realizamos uma Assembleia de esperança, marcada pelas nossas celebrações e rituais, pela solidariedade e amizade. Saímos fortalecidos e unidos, entre nós e com todos os que lutam por um Brasil plural, mais justo e solidário.
Tivemos a presença de parentes de todo país, caso dos Pataxó Hã-hã-hãe, Bahia, Xavante, Mato Grosso, Xukuru-Kariri, Alagoas, além de aliados dos movimentos sociais, caso da Via Campesina, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Nailton Pataxó Hã-hã-hãe nos trouxe a palavra de que sozinhos não conseguimos nada, portanto precisamos nos unir entre os povos e aliados. Acreditamos e confiamos que a luta é árdua e longa, mas não abandonaremos a batalha. Seguimos até o fim pelo Bem Viver, o Sumak kawsay ameríndio, em nossas terras indígenas.
Palmas, TO, 23 de maio de 2013

O desmatamento na Amazônia cresceu 88% em um ano

Segundo medições feitas por satélite, o desmatamento voltou a subir na Amazônia e especificamente no Pará. Não é a primeira vez que há um repique no desmatamento.
 O desmatamento na Amazônia, em queda desde 2004, voltou a crescer. É o que mostra um conjunto de dados apresentados pelo comitê gestor do Programa Municípios Verdes, do Estado do Pará.
Segundo medições feitas por satélite, o desmatamento voltou a subir na Amazônia e especificamente no Pará. Os dados do programa de monitoramento do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostram a retomada do desmatamento. Na comparação do período de agosto a março de 2012 e o mesmo período em 2013, houve alta de 88% na Amazônia. Os maiores aumentos ocorreram no Pará (com mais 144%), no Amazonas (mais 143%) em Tocantins (mais 126%).
A reportagem é de Alexandre Mansur e publicada por Mundo Sustentável, 22-05-2013.
A medição feita pelo Inpe também revelou a devastação. Entre agosto a março de 2012 e o mesmo período em 2013 foi um aumento de 50% na Amazônia toda.
Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon e do Sistema de Detecção de Desmatamento (Deter) do Inpe. Eles geralmente antecipam as tendências na região.
É o que mostra o gráfico abaixo.
Não é a primeira vez que há um repique no desmatamento. O último foi nos anos de 2007 e 2008. O governo começou ações de combate ao desmatamento em 2004, com aumento na fiscalização e criação de unidades de conservação. As medidas surtiram efeito mas aparentemente se esgotaram em 2007. Em 2008, o desmatamento voltou a cair quando o governo baixou resoluções para restringir o crédito em áreas com ocupação ilegal da terra e em municípios campeões de devastação. Será que está na hora de um novo tipo de ação agora?
O gráfico abaixo mostra a evolução do desmatamento nos últimos anos, em quilômetros quadrados na Amazônia.
Cerca de 80% dos novos desmatamentos no estado do Pará aconteceram em terras públicas federais, ao longo daTransamazônica e da BR 163, que liga Cuiabá a Santarém. São terras invadidas por grileiros ou pecuaristas, que desmatam para apressar a posse da área.
Técnicos do Imazon e do Programa Municípios Verdes fizeram uma análise dos tipos de motivações que levam aos novos desmatamentos. Estão indicados no mapa abaixo.
O desmatamento tradicional é típico de áreas privadas numa região com ocupação já consolidada. É o desmatamento do proprietário de uma fazenda que busca expandir sua área para pecuária ou algum cultivo. Já o corte para assentamentos é a abertura de áreas em projetos do Incra ou de assentamentos estaduais. O mais triste é que, pelo que mostra a experiência na região, os assentados devastam inutilmente, porque continuam miseráveis e depois precisam de uma nova terra para ir. O terceiro tipo de desmatamento atual no Pará é o especulativo, típico da fronteira de ocupação. É a retirada de floresta por quem deseja tomar posse da área, geralmente terras públicas invadidas.
Para Justiniano de Queiroz Netto, secretário extraordinário de estado para
Coordenação do Programa Municípios Verdes, uma série de medidas pode atenuar a tendência de repique no desmatamento, pelo menos no Pará. Ela incluem aumento da fiscalização federal e estadual. Também há uma ação civil pública contra o Incra, obrigando o órgão a assumir o desmatamento sob sua área de responsabilidade e ordenando que ele recupere a devastação. Para isso, o Incra deverá dar mais orientação técnica para os assentados cultivarem sem desmatar.
Um dos desafios atuais é conter o desmatamento associado a grandes obras na região.
fonte: Unisinos

Fotógrafo capta 'olhar triste' de animais que vivem em cativeiro


O fotógrafo Oscar Ciutat, morador de Barcelona, na Espanha, desenvolve um projeto desde 2008 que tem objetivo de captar o olhar de animais que vivem aprisionados em cativeiros.
Segundo ele, sua atenção foi atraída ao observar quer os olhos de animais exibidos em zoológicos e outros locais pareciam tristes.Desde então, tenta comprovar por meio de sua arte se a expressão humana “os olhos são a janela da alma” pode ser verdade também para os animais.

Homem joga dois cães pela janela de apartamento em Copacabana, no Rio


Um homem jogou dois cães da janela de seu apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio, por volta das 19h desta quarta-feira (22), e quase foi linchado por pedestres. Segundo a polícia e vizinhos, ele teria tido um surto e atirado os animais, das raças pastor alemão e poodle, do sexto andar do edifício na Rua Belford Roxo, próximo à Rua Barata Ribeiro, uma das principais vias do bairro. Os cachorros morreram na queda e permaneciam no local até as 22h20, para a realização da perícia.

Massacre das florestas tropicais avança sem parar


Na Indonésia, por exemplo, moratória decretada em 2011 para proteger as áreas não deu resultados

16 de maio de 2013 | 16h 13
PARIS - Enquanto a Europa está saindo aos poucos de um inverno extraordinariamente gélido, o aquecimento do clima agrava-se em todo o globo, e o aumento do CO² e das temperaturas constituirá, com toda a certeza, a maior ameaça do mundo a partir de 2050.
Na parafernália de instrumentos de que os homens dispõem para frear o aquecimento estão evidentemente as florestas. Entretanto, apesar das conferências, das promessas, das sanções e do imenso sistema de proteção criado ao longo dos anos, constatamos que o massacre das florestas tropicais, longe de se reduzir, avança sem parar. Principalmente nas zonas tropicais.
Hoje podemos citar dois exemplos. O da Indonésia, em primeiro lugar. Em maio de 2011, o país decretou uma moratória visando proteger suas florestas primárias e suas turfeiras, isto é, 43 milhões de hectares. E para estimulá-la a cumprir sua promessa, a Noruega comprometeu-se a fornecer-lhe US$ 1 bilhão.
Hoje, verificamos que a moratória de 2011 não serviu para nada. Encorajada pela fortuna representada pelo óleo de palma e pela devoradora indústria do papel, a Indonésia, longe de deter o desaparecimento de suas florestas, conseguiu destruí-las, ao ritmo de 500 mil a 1 milhão de hectares (no mínimo) ao ano.
O presidente indonésio, Susilo Banbang Yudhoyono, anunciou na quarta-feira que imporá a moratória de 2011 por mais dois anos, apesar dos gritos enfurecidos dos fabricantes de óleo de palma (a Indonésia é a maior produtora mundial). Uma notícia auspiciosa, sem dúvida. Mas, diante dos exploradores descarados e impunes do "tesouro verde", terá o governo de Jacarta a energia e os meios para intimidar os destruidores de árvores?
Outro exemplo está na África. Moçambique, país que saiu totalmente esgotado de uma longa guerra irreparável, possui recursos florestais fabulosos nas províncias de Sofala, Zambézia e Cabo Delgado. Ali, apesar das promessas oficiais, as florestas simplesmente evaporam. Ocorre que existe um consumidor de madeira moçambicana dotado de um apetite feroz, insaciável, a China.
Somente na província de Zambézia, desaparecem anualmente 219 mil hectares de florestas desde 2008. Ao redor dos compradores chineses surgiu todo um sistema ilegal. E este sistema ilegal é mais poderoso, melhor gerido e mais profissional, do que o sistema legal encarregado de proteger o tesouro contra os predadores.
Os traficantes entram em contato com as autoridades locais e obtêm o sinal verde. Mandam então os "pisteiros" na floresta para descobrirem as árvores preciosas. Em seguida, recrutam os chamados "pingo-pingo" para derrubá-las. Vem então o próximo passo. Para exportar a madeira, são necessárias três autorizações: as da alfândega, dos serviços florestais provinciais e dos ministérios da Indústria e do Comércio. Mas nada de pânico. Os traficantes afirmam que basta ter paciência. E eles são pacientes.
De uma extremidade à outra da cadeia, há falcatruas e corrupção para exportar as madeiras protegidas. O jornal O país, de Maputo, revela que, recentemente, uma imensa carga de madeira marcada com giz (e não com tinta indelével, conforme prescreve o regulamento) anunciava espécies de segunda categoria. Na realidade, tratava-se de Berchemia zeyheri, uma variedade ultra protegida.
Nos anos 80, na circunscrição de Massaca, não muito longe da capital, a floresta cobria todo o território. "A aldeia ainda não existia", conta Antonio Cosa, funcionário da cidade de Boane. "Só havia árvores, em toda parte, e algumas carvoarias para uso local. Hoje, não sobra uma úncia árvore".
Tradução Anna Capovilla
do estadao.com.br


Reflexão sobre a exploração de animais como atração turística ou meio de transporte



Quando eu era pequena, costumávamos passar as férias de inverno em Poços de Caldas ou Águas de Lindóia. Como, nesse período, a piscina do hotel permanecia inutilizável, em Águas de Lindóia, a atividade mais aguardada do dia era quando saíamos para andar a cavalo. Em virtude de esta atividade se repetir todos os dias, era como se eu tivesse o "meu" cavalo e, minha irmã o "dela". Com os meus oito, nove anos, achava normal e não via nada de mal que cavalos fossem usados para este fim. Já em Poços de Caldas, fazíamos passeios de charrete, e, embora eu fosse ainda mais criança (tinha uns cinco, seis anos), lembro-me que o cavalo que puxava a charrete causava-me pena, não parecia feliz. No verão, a situação era ainda pior, pois passávamos as férias todas em Santos, e era inevitável uma visita ao Aquário ou ao show de golfinhos. No primeiro atrativo, ficava preocupada ao ver o pouco espaço reservado aos peixes e, ainda mais angustiada, com a minúscula piscina destinada à moradia do leão-marinho, que tem como hábitat natural toda a extensão dos oceanos. No show de golfinhos, a situação não era nada melhor, os pobres animais eram obrigados a mostrar os truques que haviam aprendido em troca de... comida! Além disso, lá também, a piscina era minúscula e a água visivelmente suja, o que tornava o cativeiro ainda mais cruel.

Mais tarde, aos 15 anos, em visita à Flórida, tive contato com o alto nível dos parques aquáticos americanos: água transparente, piscinas grandes, "todo o conforto necessário"... O locutor do show nos tranquilizava dizendo que a orca Shamu não sentia falta de seu meio ambiente natural porque era muito bem tratada, tinha alimentação farta e gostava de brincar com os monitores.... era feliz. O mesmo discurso se ouvia em relação aos tubarões e golfinhos do parque. Na época, não indaguei muito, mas anos mais tarde, depois de participar de experiências de avistagem de espécies da fauna marinha, em liberdade, em alguns países da América do Sul, comecei a duvidar que um animal que deveria estar nadando com outros indivíduos da sua espécie, numa extensão de quatro mil quilômetros, pudesse estar feliz numa piscina de uma parque aquático, por mais moderno que este fosse, ou mesmo em Roatán (Honduras), onde dizem para os turistas que os golfinhos vivem em liberdade, mas, na realidade, permanecem confinados num trecho de mar e de lá não podem sair, o que também constitui cativeiro, ainda que devidamente disfarçado.



Lembro-me de minha primeira viagem à Espanha, aos 17 anos, quando não quis perder a experiência de ver uma tourada, sobre a qual, francamente, eu tinha somente uma vaga ideia. O espetáculo cruel me levou ao imediato arrependimento. Hoje, muitos anos mais tarde, por mais que as touradas ainda não sejam proibidas no país, pelo menos, o órgão oficial de turismo, há um bom tempo, teve o bom gosto de proibir qualquer menção a esse espetáculo bárbaro, em todas suas campanhas de marketing. No entanto, a Festa de São Firmino, que ocorre anualmente em Pamplona, no mês de junho, e que se tornou célebre a partir do romance "O sol também se levanta", de Ernest Hemingway, continua atraindo multidões de jovens do mundo todo, que passam as noites embriagando-se para, no dia seguinte, lançar-se numa corrida irresponsável na frente de touros: tradição que, fatalmente, termina com algumas mortes e feridos, entre homens e animais. Há muitos que defendem a perpetuação dessas tradições, especialmente, das touradas, cuja origem remonta aos fenícios. Todavia, se usássemos a mesma lógica apoiada somente na tradição, também deveríamos manter outros costumes igualmente bárbaros, como o de incendiar pessoas suspeitas de heresia, assim como aconteceu com o filósofo/teólogo Giordano Bruno... É isso realmente o que queremos em pleno século XXI?

Em 1991, em viagem ao Iêmen, tive a oportunidade de andar de camelo pela primeira vez na vida, e assim como a experiência com os cavalos de Águas de Lindóia, o fato que camelos fossem obrigados a "trabalhar" para encantar os turistas me pareceu normal. Logo depois, em outra viagem, tive a opção de escolher se adentrava Petra, na Jordânia, a pé ou de camelo. Certamente, a experiência de camelo pareceu-me mais "autêntica", assim como também optei por subir ao Monastério, deste mesmo sítio arqueológico, no lombo de um burro, embora eu pudesse perfeitamente ter realizado o trajeto a pé. Hoje, mais sensível que àquela época, posso até compreender quando esses animais são a única possibilidade de transporte para tribos nômades, cuja vida consiste em deslocar-se de um ponto a outro, em meio ao deserto, mas qual o sentido de trazermos camelos para Natal (RN), por exemplo, com o único objetivo de suscitar a curiosidade dos turistas? E o que não dizer dos búfalos que vivem na ilha de Marajó (PA)? Além de comer a carne e produtos produzidos com o leite desses animais, os turistas também querem viver a insólita experiência de andar em charretes por eles puxadas. A julgar pela cara do animal retratado na foto que acompanha este artigo, a experiência é positiva somente para os turistas e para os que ganham dinheiro com isso.


Todavia, quando se acha que já se viu de tudo em relação à crueldade dos animais, associada ao turismo, sempre há surpresas: em Istambul, duas décadas antes de a cidade virar cenário de novela, indo de táxi do aeroporto para o hotel, qual não foi minha surpresa, quando vi um homem atravessando a rua com um urso (!) todo acorrentado e dopado. O taxista nos informou que ciganos capturavam os animais nas montanhas, arrancavam seus dentes e andavam com os animais pela cidade para que turistas pagassem para tirar fotos com eles. Aquilo me chocou imensamente, e precisei mergulhar intensamente no legado cultural da cidade para amenizar aquela primeira impressão negativa. Por fim, acabei esquecendo...

A gota d"água que transbordaria o copo se deu somente quando eu pesquisava possíveis trilhas para Machu Picchu, nas páginas de uma edição da revista Caminhos da Terra, e deparei-me com uma foto que fazia uma denúncia terrível: via-se um homem de fisionomia indígena, bastante curvado, em função de todo o peso que levava em suas costas (comida, utensílios e barracas para os turistas), ao lado dele, um burro, também curvado e visivelmente sobrecarregado e extenuado; um pouco mais adiante, lá estavam eles, os mochileiros, felizes e satisfeitos, desfrutando da aventura de percorrer a trilha inca, levando somente uns poucos quilos em suas mochilas. Imediatamente, desisti de realizar a trilha inca, pois preferia perder esta experiência, e chegar até Aguas Calientes/ Machu Picchu de trem/ônibus, a explorar esses seres humanos e animais. Os indígenas fiquei sabendo mais tarde ganhavam algumas dezenas de dólares para levar, por três dias, em suas costas, a carga destinada ao conforto dos turistas; os burros, por sua vez, ganhavam somente o direto à comida e à água.

Entendo que muitas comunidades autóctones estejam sendo subjugadas pelo turismo e por alguns turistas (como, inclusive, já relatei em um artigo que escrevi para este jornal, publicado em 25/01/11). Mas essas pessoas podem dizer "não", podem unir-se, procurar um advogado, outras fontes de renda, etc. Os animais não têm recurso algum, são escravizados e ponto final. Se, por acaso, em função do sofrimento ao qual são submetidos, atacam, prontamente apanham ou são abatidos.

É sabido que depender exclusivamente da atividade turística constitui um equívoco e traz sérias consequências; para os animais, contudo, a situação torna-se ainda mais grave, sem dizer que estes últimos não escolheram esta "profissão". No ano passado, num dos vários festivais anuais de cinema árabe, em São Paulo, pude assistir ao filme "Depois da Batalha" (Baad el Mawkeaa, 2012), do diretor egípcio Yousry Nasrallha, que narra alguns dos impactos, na cidade do Cairo, passado o entusiasmo da revolução popular, ocorrida um ano antes. Um dos cenários mostrados pelo diretor revela justamente o destino que coube a cavalos e camelos. Em suas palavras, "os turistas desapareceram, e os cavalos, camelos e seus condutores, que moravam próximo às pirâmides, ficaram morrendo de fome a ponto de os camelos serem vendidos para açougues".

Muito se fala em busca da sustentabilidade e turismo sustentável, mas pouco se tem indagado sobre os "atores" mais fracos da atividade turística: os animais. Hoje, se por um lado, abomino circos que exploram animais e parques aquáticos que, literalmente, fazem espetáculo à custa do sofrimento dos animais indefesos, por outro, ainda me sensibiliza que comunidades locais tenham no oferecimento de passeios com animais sua única possibilidade de sobrevivência, como no caso de extratos humildes da sociedade egípcia, porém, como se assegurar que esses animais, de fato, recebem o tratamento e a atenção que merecem? É uma questão muito difícil: quantas horas, por dia, um camelo pode "trabalhar", levando turistas em passeios de um lado a outro da área das pirâmides de Gizé, ou qual é o limite de "trabalho", sob o sol escaldante do Egito, para que um cavalo possa puxar uma charrete com quatro passageiros e dois condutores, em Aswan, no sul do país? Como seria possível estabelecer este limite entre o que é ético/suportável para um animal e o que causaria um extremo sofrimento para esses seres que não têm como escapar dessa cruel realidade, não recebem salário, não recebem décimo-terceiro, não têm férias, não têm sindicatos, não têm direito à greve.... Quando seres humanos trabalham somente em troca de comida e moradia, chamamos a isso de escravidão. Seria diferente com os animais? Na dúvida, há alguns anos, passei a boicotar qualquer atividade turística que envolva animais, seja como atração turística ou como meio de transporte.

Sei que muitas pessoas acham essas atividades normais. Eu também achava quando ficava esperando, ansiosamente, para andar a cavalo, nos invernos transcorridos em Águas de Lindóia, mas, hoje, já não acho mais.

Finalizo, propondo um paradigma de comparação: após a Revolução Industrial, crianças muito pequenas trabalhavam como adultos várias horas por dia, sem férias, sem fins de semana, sem direitos garantidos, sem tutela alguma. À época, a burguesia inglesa achava isso muito normal, entretanto, hoje, certamente ninguém mais acharia. Enquanto isso, os animais continuarão aguardando a nossa benevolência...

Claudia Astorino é docente do curso de Bacharelado em Turismo, da UFSCar Sorocaba (claudia.astorino@ig.com.br)

Comissão de Defesa dos Animais da OAB Sorocaba atua contra a impunidade nos crimes




Os consultores estão aptos a fornecer laudos, quando necessário para a busca judicial de algum direito animal transgredido. Nossos eventos ocorrem no dia a dia. O objetivo primordial dessa comissão é lutar contra a impunidade nos crimes contra os animais de qualquer espécie”, afirma a advogada Ilka Sonia Micheletti, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da OAB Sorocaba.

Para auxiliar nas atividades, além dos membros da comissão há o apoio de consultores técnicos como: o veterinário Antonio Prieto, a Bióloga Cecília Pessunti, Edson Mitsuhide do Ibama.
Desde a criação  desta Comissão, no início deste ano, a comissão já participou do evento promovido pelo clube dos Pitbulls de Sorocaba, que corresponde a um encontro de seus membros uma vez por mês, juntamente com seus animais, visando a sociabilização do animal e desmistificar a raça  que há algum tempo vem sofrendo todo tipo de discriminação.  Em março, Ilka visitou alguns gabinetes de vereadores de Sorocaba solicitando apoio na causa, no sentido de buscar soluções para o exagerado abandono animal na cidade.

No começo deste mês a presidente também esteve no Plenário da Câmara  Municipal, como convidada para apresentação da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais e seus objetivos e propostas de trabalho.
“Diariamente recebemos denúncias e nossos membros se dividem para a apuração e encaminhamento á orgãos competentes. Também fazemos acompanhamento para efetivação de boletim de ocorrência  de denúncias de maus tratos aos animais, quando o denunciante encontra dificuldades nessa efetivação”, explica.

Entre julho e agosto, a comissão promoverá uma palestra sobre o assunto na sede da OAB Sorocaba, no Alto da Boa Vista.
Já em outubro, está programada uma feira de adoção em frente à Casa do Advogado, com parceria da ONG  Adote Sorocaba, com outras programações nesse dia em comemoração ao dia dos animais.

Sobrevivente de 'chacina', cadela é adotada em Santa Catarina



Uma cadela que sobreviveu a uma 'chacina' de seis filhotes de vira-latas, queimados em Blumenau (129 km de Florianópolis), ganhou o nome de Luana e foi adotada por uma família de uma cidade vizinha.

A ninhada foi encontrada no dia 23 de agosto em um terreno abandonado no bairro Itoupava Central. Ao lado dos corpos havia uma filhote viva.
"Ela [a sobrevivente] parecia desesperada. Andava de lá para cá. Parece que estava guardando os corpos. Quando me viu, veio no meu pé e ficou de barriga para cima me implorando alguma coisa", lembra o fotógrafo Gilmar de Souza, que fazia um trabalho na região e foi o primeiro a avistar os filhotes.
A sobrevivente foi amparada pela Associação Protetora dos Animais de Blumenau (Aprablu) e, no último dia 7, foi batizada de Luana e adotada por uma família de Timbó (30 km de Blumenau).
"Fiquei sensibilizado com a história dela. Escolhi o nome Luana porque ela foi adotada em época de lua cheia", disse o dentista Edo Kretzachmar.
Luana ganhou a companhia de outras duas cachorras da família, Mila e Teca, e de um cão policial, o Tigrão, que cuida da casa de campo.
Aprablu/Divulgação
A cadela Luana foi adotada por uma família; outros seis filhotes foram queimados em terreno em Blumenau (SC)
A cadela Luana foi adotada por uma família; outros seis filhotes foram queimados em terreno em Blumenau (SC)
Ao ser resgatada, a filhote andava cabisbaixa e precisou ser internada.
"Ela não estava machucada. Não tinha sinal de fogo no seu corpinho. Mas ficava calada o tempo todo. Teve diarreia, aí eu consegui internar ela numa clínica da cidade", conta Ula Schwaderer, voluntária da Aprablu.
Desde o início do ano, 42 cães e gatos morreram envenenados em Blumenau, segundo Eliomar Russi, diretor do Centro de Bem Estar Animal.
"São números alarmantes para uma cidade conhecida pelo seu potencial econômico e social", avalia. O caso de Luana não foi registrado na polícia.

Programa de anatomia de animais em 3D pode reduzir o uso de cobaias em aulas

A Biosphera, empresa especializada em desenvolvimento de aplicativos 3D, criou programas que prometem reduzir a utilização de bichos como cobaias em salas de aulas. Ela é a única brasileira especializada em fazer programas de anatomia em 3D de animais, em português, que permite realizar uma dissecção virtual do cão e do rato, que geralmente são usados em atividades de ensino e pesquisa.
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“Graças à interação que o programa permite, é possível ver os órgãos em 3D separados ou observar sua relação com os demais sistemas. A vantagem também está na possibilidade de visualização de partes que nem sempre são fáceis de identificar em uma dissecção”, explica Victor Skrabe, biólogo e sócio-diretor da Biosphera.
Na solução é possível rotacionar o animal e visualizar todos os sistemas, em camadas, com diferentes combinações. O programa também permite verificar os nomes, formas e posicionamento das estruturas. Entre as possibilidades, o usuário pode isolar a musculatura do esqueleto, sistema nervoso, reprodutor e respiratório, entre outros, com poucos cliques do mouse. As imagens podem ser vistas de diferentes ângulos e graus de aproximação, com ótima resolução. Um recurso importante para ajudar os veterinários a explicarem sintomas e tratamentos aos donos, assim como uma ótima fonte de estudo para os alunos de medicina veterinária em seu aprendizado.
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Para Roselaine Ponso, professora de anatomia da Universidade Federal da Grande Dourados, em Mato Grosso do Sul, o software é uma alternativa à utilização de corpos. “Ao receber o link do site de uma colega, adquiri o software e fiquei muito satisfeita. Verifiquei que ele é extremamente útil, após uma aula que dei sobre sistema circulatório. Usei como material adicional e os alunos gostaram bastante.”
Em pouco mais de três anos, a Biosphera já comercializou mais de mil softwares de anatomia, vendidos também para outros países, como EUA (o segundo maior comprador), Reino Unido, Alemanha, Coreia do Sul e Rússia.
Segundo Anne Cholette, do College Boreal, da cidade de Sudbury, no Canadá, o software de Anatomia Canina 3D, comprado pela instituição, será usado para ensinar em sala de aula os detalhes do corpo do cão. “Adquirimos o programa para usá-lo em demonstrações nas aulas do Veterinary Technician Program, a partir de setembro.”
Para Victor Skrabe, o sucesso está ligado ao compromisso com a qualidade, profissionalismo e o cuidado com os detalhes. “Temos médicos, veterinários, enfermeiros, professores e estudantes entre os nossos clientes. É um público exigente e que precisa do programa para demonstrar aos pacientes partes do corpo, dar aula e estudar. Por isso, temos o compromisso de nos aprimorar cada vez mais para oferecer um produto de qualidade.”
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Para ter uma pequena ideia da complexidade no desenvolvimento desses programas tridimensionais, do início do projeto até o lançamento do software de anatomia canina, por exemplo, foram cerca de 20 meses de trabalho intenso, incluindo pesquisa, modelagem e programação. Só o cão tem mais de 300 ossos e o esqueleto é apenas a base da criação. “Porém, não podemos considerar que os desenvolvimentos dos softwares estejam completamente concluídos. Continuamos a trabalhar neles mesmo depois de serem colocados à venda, enviando atualizações com mais estruturas e correções a cada três ou quatro meses, sem custos adicionais”, explica Estela Yuka Yamamoto, veterinária e sócia-diretora da Biosphera.
Outro atrativo do software é o preço, que é baixo em relação ao custo de livros de anatomia – quase metade do valor. O software Introdução à Anatomia Humana 3D custa R$ 97, Anatomia Canina 3D é comercializado por R$ 96 e o de Anatomia Simplificada de Rato em 3D, apenas R$ 39. A licença de uso dá direito à instalação em dois computadores. Os softwares são compatíveis com o Windows XP, Vista, Windows 7  e 8, além do Mac OSX.

Manifestantes prometem virar 'ninjas' contra corte de árvores







Faixa montada em frente ao local onde os manifestantes se reúnem Foto: Daniel Favero / Terra
Faixa montada em frente ao local onde os manifestantes se reúnem
Foto: Daniel Favero / Terra

  • Daniel Favero
    Direto de Porto Alegre
Acampados há cerca de um mês ao redor das árvores que seriam derrubadas em virtude das obras da Copa de 2014, na capital gaúcha, os manifestantes do grupo Árvores de Porto Alegre dizem que vão virar “ninjas” para defender o local. Isso porque, na quinta-feira, a Justiça autorizou a prefeitura a dar andamento nas obras realizando o corte das 115 árvores.
Algumas árvores já haviam sido cortadas em fevereiro, quando manifestantes bloquearam as vias da região do Gasômetro para protestar contra a medida. Segundo eles, os moradores da região não foram consultados sobre o corte das plantas.
Dezenas de manifestantes estão acampados no local e dizem que vão persistir, enfrentando a polícia se necessário.  “Estamos esperando repressão policial, assim como aconteceu no caso do tatu (quando o mascote da Copa foi depredado) . Eles querem criminalizar os movimentos sociais, tem um monte de irmãos nossos sendo indiciados por formação de quadrilha, isso não faz sentido, me dá vontade de chorar”, disse um dos manifestantes acampados sob condição de anonimato. 


Cozinha improvisada do acampamento Foto: Daniel Favero / Terra
Cozinha improvisada do acampamento
Foto: Daniel Favero / Terra

Gabriel Menezes, 19 anos, é o único que se identificou no acampamento. Ele promete fazer de tudo para evitar que a prefeitura dê prosseguimento ao corte das árvores do local onde costumava jogar futebol quando era criança. 
“Eu sou morador aqui do Centro, cresci jogando bola aqui... quando eles chegarem vou subir em arvores, vou saltar, vou virar ninja”, prometia o manifestante, com suas declarações bem humoradas, que segundo os manifestantes fazem parte do que é o movimento.
O local, que fica bem próximo a Usina do Gasômetro, na região central da cidade, virou um acampamento, com barracas, faixas e uma fogueira onde era preparada uma macarronada. “A população é muito provinciana, ninguém defende o que acredita, aceita tudo que é imposto”, dizia o manifestante não identificado.





Panfleto que é distribuído pelos manifestantes pedindo apoio para a mobilização Foto: Daniel Favero / Terra
Panfleto que é distribuído pelos manifestantes pedindo apoio para a mobilização
Foto: Daniel Favero / Terra

Eles tem usado as redes sociais, mais especificamente o Facebook, para divulgar a causa e incitar a mobilização.  Após a decisão judicial de ontem, eles elaboraram uma nota na qual dizem que a o movimento de “vigília”, agora é de resistência.
“Existem outras alternativas ao corte, como o transplante das árvores para outro local próximo, ou um projeto de avenida que seria subterrânea. Porém, nossa prefeitura recusa-se a considerar outras alternativas”, diz trecho do comunicado.
Na decisão judicial, a juíza responsável pela decisão argumentou que a região foi construída com aterramento, sendo que as árvores foram plantadas pelo homem.
do Portal Terra

Número de queimadas aumenta 60% na cidade



Antes mesmo de se iniciar o período crítico de estiagem, já foram registrados 53 casos neste ano
Veronica Viudes
veronica.viudes@jcruzeiro.com.br
Programa de estágio
Nem bem começou o período de estiagem em Sorocaba e a cidade já registrou aumento no número de queimadas nos primeiros quatro meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2012. Segundo dados da Patrulha Verde, programa de prevenção e combate a incêndios da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), neste ano, já são contabilizadas 53 queimadas. No mesmo período do ano passado, foram 33: ou seja, um aumento de cerca de 60%. 
A situação se agrava no período crítico de estiagem, fenômeno climático causado pela insuficiência de chuva. Ainda de acordo com registros da Patrulha Verde, no ano passado, nos meses de junho, julho e agosto foram constatados 372 casos em Sorocaba, o que representa mais de 68% do total do ano inteiro, 540. Porém, apesar do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) afirmar que a temporada de estiagem começa em junho e segue até agosto, Sorocaba teve, no ano passado, setembro como um dos meses mais críticos, com 128 ocorrências, perdendo apenas para agosto, com 165 focos de incêndio registrados.
Levando em conta esses dados e com a previsão de que o município passará por uma fase grave de seca nos próximos meses, o secretário da Secretaria de Segurança Comunitária (Sesco), Roberto Montgomery Soares, alega que serão feitas mais ações contra queimadas. “A previsão climática é de que até o mês de agosto não tenha praticamente nenhuma chuva na cidade. Assim, é muito provável que o número de focos de incêndio aumente. Com isso, serão intensificado as ações de combate aos incêndios”, revela. Nessa época, o Corpo de Bombeiros também intensifica as ações de prevenção. O tenente Eduardo Oliveira, oficial do 15° agrupamento do Corpo de Bombeiros de Sorocaba, conta que o tema é tratado em diversas atividades educativas. “Falamos do assunto no programa educativo Bombeiro na Escola e no bombeiro mirim, educando as crianças. Também realizamos campanhas preventivas, de educação para toda a população, utilizando todas as mídias possíveis”, diz.
O programa Patrulha Verde, que auxilia o Corpo de Bombeiros nos incêndios e queimadas, conforme o secretário Montgomery, está funcionando com uma equipe reduzida durante estes primeiros meses de 2013. “De maneira oficial, a Patrulha Verde somente começa a funcionar em aproximadamente 15 dias. Ainda está sendo feita uma readequação de pessoal, um remanejamento. E também está em avaliação a parte da fiscalização, responsável em averiguar a existência de terrenos com mato alto, terrenos sujos e também em punir nos casos de queimada. Mas, não é só o provocador da queimada que é punido. O proprietário do terreno também é”, explica. 
De acordo com o tenente Oliveira, a punição em casos de queimadas é aplicada pela prefeitura do município. “Sempre que ocorre um incêndio, a prefeitura é acionada, para que faça as devidas autuações. Ela é quem aplica as multas e realiza a fiscalização. E, aquele que provocou o incêndio, além de ser multado, responde por crime, podendo ser preso principalmente em caso de flagrante”, esclarece. 
Montgomery acredita que a existência dessa fiscalização e punição, em conjunto com a conscientização da população sobre os danos à saúde que a queimada traz, vêm colaborando para que o número de focos de incêndios criminosos diminua. “Só que, mais importante que punir, é prevenir essas queimadas. Por isso, pedimos sempre para que a comunidade ajude, fazendo denúncias através do 191 ou 193. E podemos perceber que os cidadãos estão mais conscientes, pois, o número de focos de incêndio de 2011 para 2012 reduziu em quase 50%. Em 2011, foram 970 ocorrências”, ressalta.
As queimadas realmente são motivos de queixa para muitos sorocabanos cientes dos problemas que a fumaça pode causar. O aposentado Sérgio Ricardo Lopes, por exemplo, reclama do grande número de ocorrências que acontece em seu bairro, o Wannel Ville 5, Zona Oeste de Sorocaba. “Todo dia tem queimada, principalmente no fim de tarde e à noite. O quintal amanhece sempre cheio de fuligem e a roupa que fica no varal fica cheirando fumaça. E essas queimadas diárias acontecem desde que me mudei pra cá, há 10 meses”, relata.
Mas, o que mais incomoda o aposentado são os problemas respiratórios ocasionados pelo tempo seco em conjunto com a fumaça vinda do fogo em terrenos baldios. “Eu estou fazendo tratamento, tomando remédios para tosse. O pior é que tenho um bebê de 9 meses e também está com problemas respiratórios, tossindo o tempo todo”, completa.
As ocorrências que ocorrem próximo ao bairro Wanel Ville 1, localizado na Zona Oeste, também são motivos de preocupação para a empresária Cátia Mira. Ela conta que, próximo ao seu bairro, na estrada Adão Pereira de Camargo, acontecem queimadas praticamente toda semana. “Sempre que passo por ali tem queimada, é incrível. Isso incomoda muito quando passamos de carro por ali. Não sei porque ainda fazem tanta queimada atualmente, sendo que todo mundo sabe a poluição que isso causa. Se é pra descartar alguma coisa velha, não tem motivo pra fazer isso. Existem outras maneiras para descartar. O pessoal não se importa!”, opina. (Supervisão: Juliana Simonetti)